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Polícia elucida homicídio contra transexual em Nossa Senhora do Socorro

Companheiro da vítima responderá pelos crimes de homicídio qualificado e feminicídio.

Na manhã desta sexta-feira (18), a delegada do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Maria Zulnária, passou detalhes sobre a prisão de Marcos Paulo, suspeito de ser o autor do homicídio que vitimou a transexual Millany Spencer no dia 15 de abril no Loteamento Jardim Mariana, localizado no Conjunto Marcos Freire II, município de Nossa Senhora do Socorro (SE).

O relatório emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte asfixia mecânica ou sufocamento. Segundo a delegada, o suspeito, que era companheiro da vítima, vai ser indiciado e responderá pelos crimes de homicídio qualificado e feminicídio.

“A partir do registro do caso, ouvimos pessoas próximas e Marcos Paulo era uma delas. Durante as oitivas, sempre retornávamos a ouví-lo e ele começou a cair em contradição, foi quando solicitamos a prisão temporária dele”, diz Maria Zulnária.

Ainda segundo a delegada, depois da prisão do amigo dele, que teria levado Marcos Paulo até a casa da namorada, o autor confessou que não tinha saído de casa naquela sexta-feira, 13 de abril, como havia dito antes.

No relato a polícia, o suspeito disse que chegou em casa e não encontrou a companheira, indo busca-la em uma seresta. Os dois discutiram, ele deu um empurrão na vítima. “Segundo ele, não resultou em nada, versão que contraria o laudo médico. Depois teria entrado no banho e, ao sair, deparou-se com a vítima se debatendo em crise convulsiva e não conseguiu reanimá-la. Pensando que se tratava de uma artimanha para que ele não saísse de casa, Marcos Paulo foi embora com o amigo e a deixou lá”, conta a delegada.

Segundo a polícia, o amigo do suspeito não teve participação no homicídio, mas foi indiciado por favorecimento pessoal, por não ter feito informado sobre o crime. Marcos Paulo dos Santos tinha sido preso pelo crime de roubo no município de Itaporanga D’ Ajuda.

Outras agressões

A delegada responsável pelo caso afirmou ainda que Milane era vítima constante de violência doméstica e já havia ficado internada na ala vermelha do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) por conta da gravidade das agressões. Familiares e vizinhos comprovam essas agressões, mas ela nunca havia registrado na polícia. “Se ela tivesse denunciado, talvez a história tivesse um desfecho diferente do que teve”, afirma.

O caso

A transexual Millany Spencer foi encontrada morta, na casa em que morava, pela mãe. Na época, a Polícia Militar disse que o corpo tinha marcas de espancamento e o crime poderia ter ocorrido no dia anterior.

A mãe disse que falou com a vítima dois dias antes. “Disse que estava com dor de cabeça, febre, muitas dores no corpo e pediu orações. Mandei que procurasse um médico, mas não sei porque não foi. Talvez estivesse ferido. Depois disso não consegui mais contato e fiquei muito preocupada”, conta a cuidadora de idosos, Ivanilde Jesus Santos.

Testemunhas disseram a polícia que na noite do dia 13 de abril um carro parou em frente à casa com quatro ou cinco pessoas, que desceram e foram ao encontro da transexual, dentro da residência.

Por G1 SE, Aracaju  / (Foto: Reprodução/TV Sergipe)

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