Menu

Superação: O que a nova geração de mulheres no jiu-jitsu tem a nos ensinar?

No primeiro momento que busquei o esporte como uma saída de emergência para sair da depressão profunda e busquei a Deus, hoje sou uma mulher realizada. Isis.

O Projeto artes suave tem como objetivo destacar as mulheres no cenário esportivo estadual e Nacional como conta o professor Izaias Pereira, 34 anos e que já participou de diversas competições nacionais e internacionais.

– Aqui na academia já formei aproximadamente 70 alunos, e este ano temos um diferencial em nossa equipe que são as mulheres que a cada treino mostra superação e o interessante disso tudo é que essas meninas, cada uma tem uma história de superação e de vida impressionante como é o caso da aluna e atleta Isis que sofreu depressão e hoje está aqui para mostrar as pessoas que existe um caminho e uma saída de emergência para você superar o medo, os obstáculos da vida e crescer – As meninas treinam diariamente e aos sábados somente a tarde, algumas inclusive já estão treinando para a primeira competição do ano que é o campeonato tuchê de jiu-jitsu que acontece no próximo dia 17 em Aracaju – em relação as minhas conquistas, já participei de várias, mas destaco o campeonato Mundial em São Paulo pela CBJJE – Confederação brasileira de jiu-jitsu na qual obtive a terceira colocação geral – O projeto também tem a intenção de destacar o esporte feminino, mostrar que elas tem um potencial enorme”. Completou Izaias.

De pai para filha

A lutadora Larisse Bezerra de Farias Santos, 17 anos, que é faixa-azul, disse que seu pai Lindinaldo foi sua fonte de inspiração para aderir o jiu-jitsu como esporte.

– “Meu pai foi a motivação de estar aqui treinando todos os dias na academia, ele mim inseriu nessa luta marcial, nós treinávamos juntos e isso mim tornou uma atleta – fui campeã sergipana e medalha de ouro no Open Nordeste – Estou aqui com professor Izaias há 7 anos e amo está treinando e dando o melhor de mim junto com nossa equipe P.A.S”. disse Larisse.

O melhor remédio é o incentivo

A medalhista Nayara Alessandra Silva Silveira, 19 anos e faixa-roxa no jiu-jitsu disse que o seu incentivo a modalidade partiu da motivação da sua colega de luta, Juliana Teles.

Nay é campeã sulamericana, ouro que conquistou em São Paulo no ano de 2014 na categoria absoluto. A atleta está há 7 anos treinando junto com seu professor Izaias e foi vice-campeã no Mundial que aconteceu na Bahia no ano seguinte a sua conquista no lugar mais alto do pódio.

A atleta da academia Projeto Artes Suave, Juliana Teles que atualmente está morando no exterior, foi sua principal fonte de inspiração para atuar na modalidade:

– “Foi através de Juliana Teles que entrei para o jiu-jitsu, ela mim convidou para entrar para a academia e graças a Deus conseguir. Pretendo agora estudar bio medicina e fortalecer ainda mais o meu potencial para trazer mais medalhas para a nossa cidade e para nosso estado. Destacou Nay.

Hoje, nós todas temos em quem nos inspirar e para isso, usamos a palavrinha mágica representatividade. Digamos que esses anos todos de trabalho, de longos treinos foram apenas anos de preparação e conquistas.

O que antes precisávamos esperar a grande mídia mostrar, hoje temos nas palmas de nossas mãos. E isso significa que o jiu-jitsu está se propagando, tornando-se mais acessível, mostrando que toda mulher pode sim chegar a uma faixa preta e que a graduação não é alcançável apenas por homens, ainda que eles sejam a maioria.

Com tudo isso, podemos enxergar que a Juliana Teles é faixa preta e mesmo distante ela é parte de nossa família, mas porque ela batalhou por isso, como todas nós, mulheres comuns podemos chegar lá.

Medo, depressão profunda e superação.

Isis Ribeiro de Andrade, 28 anos, faixa-azul. Conheça a história dessa jovem que superou a depressão profunda e agora está realizada:

A atleta tem uma história de superação, garra e determinação: Ela conta que por causa do seu ultimo relacionamento e por outros problemas na saúde, caiu em depressão profunda e até falou que a vida não faria mais sentindo algum.

Com sua ansiedade descontrolada e o estresse elevado Isis por pouco desistiu de viver.

– “Eu tive muitos problemas em minha vida pessoal e afetou a minha auto- estima. Sair de um relacionamento tumultuado e desesperador. Sofri muito no passado, sem contar que vivi um verdadeiro pesadelo em minha vida. Fiquei traumatizada e isolada de um Mundo que que não era meu “a solidão”. – Com tantos problemas fui entrando no estágio de depressão profunda – Para mim a vida não fazia mais sentido, mas Deus ergueu a minha cabeça e disse… “filha eu estou contigo, tem animo e segue”. Com a ajuda da família e amigos entrei para a Igreja Universal e lá fui inserida em um grupo de crianças e jovens do projeto Uniforça onde iniciei no jiu-jitsu – Mas tarde conheci o professor Izaias do Projeto Artes Suave e ele mim convidou para participar e ser aluna da academia – Hoje mim sinto realizada por ingressar no jiu-jitsu – O esporte mim deu forças e aos poucos fui derrubando as barreiras e reconquistando o que eu havia perdido em relação a minha saúde e minha autoestima. – Hoje confesso que sou uma mulher realizada. – Tenho um casal de filhos que moram comigo e que também foram elementos de minha restauração”. Disse Isis.

Isis é uma das atletas que vai participar do campeonato tuchê de jiu-jitsu que acontece dia 17 na capital sergipana. As outras lutadoras que representará o projeto artes suave são: Camila Santos Barbosa, 17 anos, faixa-branca e Laura E. Silveira Silva, 20 anos, faixa-azul.

A atleta mais veterana da academia é a lutadora Silvia, 33 anos e a caçulinha, a pequenina Maria de 10 anos.

Jéssica Raiane tem apenas três meses que está no projeto e já sentiu o efeito primordial e os benefícios que a modalidade proporciona a saúde e a auto-estima. Além disso ela tem outro treinador, o seu esposo Ricardo Tadeu que estuda faculdade de educação física.

É com o professor Izaias que os alunos aprendem as técnicas como movimentos e golpes precisos. Conforme a preparação e o desempenho das jovens lutadoras, o professor faz a seleção e inscreve as atletas em competições estaduais, nacionais e mundiais. Alguns golpes como estrangulamento e chave na guarda, queda, são fundamentais para a prática e aperfeiçoamento no jiu-jitsu.

Para Jéssica a primeira vez que uma lutadora pisa no tatame a sensação é extraordinária. – A primeira vez que pisei no tatame foi algo extraordinário. Talvez a Isis teve essa sensação quando ela fala de superação.

Laura diz que outros motivos como a oportunidade de ter uma academia somente para mulheres isso vale muito. Emplacou na modalidade e agora é horas de treino e já se prepara para o próximo certame.

Uma das ideias também do projeto é que não tão distante mas o jiu-jitsu dificilmente teria essa gama de mulheres concentradas em um só lugar para treinar por conta do machismo da época e que algumas sofriam dentro de sua própria família.

A lutadora Juliana Teles que deixou o grupo e foi morar no exterior também deixou seu legado em terra sergipana e agora, já casada buscou sua felicidade fora do Brasil mas sua principal função ainda é o jiu-jitsu.

Depois de algum tempo longe dos tatames ela percebeu que os tempos mudaram, o mundo feminino evoluiu.

Antes de embarcar para o exterior a Juliana também comentou sobre a Nay e disse:

 – Eu queria ter falado muito mais, porque eu acho muito importante falar para quem está chegando coisas que não tivemos oportunidade de ouvir quando começamos, não foi o meu caso”. Mas mal sabe ela que meu pensamento quando vejo mulheres como a Nay levando tudo nos campeonatos, eu penso o mesmo que ela pensa de mim”.

 

 – Eu queria poder citar aqui todas essas mulheres da academia em que passei anos lutando e que nos representam, mas embora tenha citado só algumas, essa lista vai muito além! Que sempre tenhamos força para continuar, que nunca deixemos a peteca cair, que a gente dê cada vez mais valor a quem está lá em cima nos representando e, acima de tudo, que a gente nunca desista. Disse Juli.

Muita gente tem vontade de começar a praticar um esporte, mas fica em dúvida no momento da escolha. Dentre tantas opções, as artes marciais são consideradas as mais completas, levando o praticante a obter benefícios físicos e psicológicos, através de conhecimentos milenares, vindos do oriente. Entre essas práticas, a arte suave ganha seu destaque, e vem conquistando muitos adeptos não só em Sergipe como em boa parte do Brasil.

Um exemplo que podemos dar a respeito do próprio preconceito e da superação é a da nossa atleta Isis. Sua trajetória é um exemplo. Uma mulher forte e lutadora, muito além do sentido literal de ambos os adjetivos. Cheia de planos, a diz ter total consciência de sua missão.

Laura afirma que lutar é vencer:

“Nada melhor do que um esporte que te põe em situações de vitórias e derrotas, respeito ao adversário e às regras. Por esses motivos, sou a favor e reforço a grande contribuição da arte suave para a saúde mental feminina. É um mito pensar que este esporte é exclusivamente para homens ou que nos torna menos femininas por sermos praticantes. Muito pelo contrário, nos deixa fortes e mais conf

iantes”. Fortaleceu a atleta Laura.

A equipe P.A.S de jiu-jitsu time feminino da Cidade de Estância finalizou expressando sua solidariedade e pesar pela tragédia no centro de treinamento do Flamengo.

 – Nossa equipe apoia a toda Nação Rubro Negra que sente a dolorosa perda dos jovens que tiveram suas vidas interrompidas por uma tragédia. Desejamos que Deus conforte todos os amigos e familiares das vitimas. #somostodosrubronegro.

Atletas que fazem parte do Projeto Artes suave em Estância

  • Nayara Alessandra Silva Silveira, 19 anos faixa-roxa

  • Larisse Beserra de Farias Santos, 17 anos, faixa-azul

  • Jéssica Raiane Divino Jardim, 28 anos, faixa-branca

  • Lais Lima Vitor, 19 anos, faixa-branca

  • Camila Santos Barbosa, 17 anos, faixa-branca

  • Kemilly Rodrigues Santos, 16 anos, faixa-verde

  • Laura Elvi Silveira Silva, 20 anos, faixa-azul

  • Beatriz de Oliveira Santos, 20 anos, faixa-azul

  • Isis Ribeiro de Andrade, 28 anos, faixa-azul

Por: Elaine Bispo / Sergipe Repórter – Itabaiana – (Foto: Washington Reis)

Related Posts

LEAVE A COMMENT