Nesta segunda-feira, 8 de julho, comemora-se a emancipação política de Sergipe que completa 199 anos. Por isso, o Portal Lagartense traz hoje um resumo dessa história para que você conheça como se deu esse processo e curta o feriado bem informado.

“Descoberta”

Apesar de visitado primeiramente pelos portugueses em 1501, através da guarda-costeira de Gaspar Lemos, foram os franceses que tiveram um primeiro contato mais duradouro com a terra localizada entre o Rio São Francisco e o Rio Real. Nela, o povo estrangeiro começou a realizar a prática do escambo, troca comercial sem envolvimento de dinheiro, importando o pau-brasil, além de pimenta e algodão.

Com o advento das Capitanias Hereditárias impostas em 1534 pelo rei D. João III, as terras sergipanas passaram a fazer parte da Capitania da Bahia de Todos os Santos, doada para Francisco Pereira Coutinho.

Mas só em 1575 que os portugueses iniciaram a colonização do local, enviando os jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio, fundadores das igrejas de São Tomé, São Inácio e de São Pedro com o objetivo de catequizarem os índios. Buscando preservar sua cultura, os indígenas resistiram aos ensinamentos católicos e, por isso, foram enviados soldados pela realeza para que os povos originários fossem violentados e para que suas aldeias fossem saqueadas. Além disso, os soldados chegavam a raptar suas mulheres e crianças.

Resistência

A resistência indígena foi comandada pelo Cacique Serigy, que liderou com bravura os guerreiros de sua tribo buscando combater a invasão de sua terra, que ficava entre os atuais rios Vaza-barris e Sergipe. Segundo conta-se, Serigy liderou a resistência indígena por cerca de trinta anos, chegando a expulsar diversas vezes as tropas portuguesas que buscavam também fundar cidades e abrir caminhos seguros até a foz do Rio São Francisco.

Entretanto, após o longo período de confrontos, o capitão Cristóvão de Barros conquistou a região em 1590, e fundou o Arraial de São Cristóvão, que recebeu o nome de Sergipe Del Rey. Depois disso, a província se desenvolveu economicamente através da criação de gado e produção de cana-de-açucar, cultivada pelos negros que foram trazidos do continente africano e escravizados para servirem como mão-de-obra barata para os senhores de engenho.

Mas, em 1637, tudo isso foi praticamente posto em ruínas após a invasão holandesa. Os holandeses governaram o Nordeste, até 1654, quando houve sua expulsão definitiva. Durante esse período, eles também se estabeleceram em Sergipe enquanto planejavam uma estratégia para invadirem a cidade de Salvador.

Independência

Quase sessenta anos depois da expulsão dos holandeses, Sergipe conquistaria sua independência, em 1696. Já separada da Capitania da Bahia, foram fundadas as vilas de Itabaiana, Lagarto, Santa Luzia, Vila Nova do São Francisco e Santo Amaro das Brotas. Entretanto, essa separação não durou muito tempo, já que de olho no desenvolvimento da província, a Bahia reivindicação novamente as terras de Sergipe, fato este que causou inúmeros conflitos.

Foi somente em 8 de julho de 1820 que o rei D. João VI assinou o decreto que isolou Sergipe da Bahia, e então, o brigadeiro Carlos César Bulamarque foi nomeado como o primeiro governador do estado. Surge assim, a Capitania de Sergipe, que após recuperar sua autonomia, teve sua independência reconhecida por D. Pedro I, e que mais tarde, após a independência do Brasil em 1822, viria a se tornar uma província.

Por: Guilherme Almeida / Portal Lagartense (Foto: R7)