Fogueteiros de Estância pedem socorro contra abandono

Fogueteiros de Estância pedem socorro contra abandono

A Cidade de Estância, localizada no litoral Sul sergipano, distante 65 km da capital Aracaju, ostenta os títulos de Cidade Jardim de Sergipe, Berço da Cultura Sergipana  e é conhecida nacionalmente como Capital Brasileira do Barco de Fogo, por sua manifestação pirotécnica única no mundo, realizada principalmente  no mês de junho, durante os festejos juninos.

Os artesãos\fogueteiros, de fevereiro a maio, concentram suas atividades e das sua família no delicado e admirável trabalho da confecção dos Buscapés, Espadas e sua maior estrela, o Barco de Fogo, um artefato da engenharia popular em formato de barco, com 50 cm, que rasga a noite em um arame, com mais ou menos 300 metros, enchendo os olhos de munícipes e turistas de luzes multi coloridas, papôcos, criatividade e muita magia. Durante o Concurso de Barcos, realizado no dia 24 de junho, esses artefatos triplicam de tamanho e suas cargas de fogos são multiplicadas no mínimo por dez…é um espetáculo inesquecível que atrai muitos turistas.

Eles(os fogueteiros e o os artefatos pirotécnicos), são a verdadeira razão da existência da festa junina mais especial de Sergipe, que dura 30 dias, começando no dia 31 de maio com a Salva e só finalizando no dia 30 de junho, que também oferece comidas típicas do período e produz os melhores licores caseiros do Estado. Quem vem uma vez para o São joão de Estância, volta outras vezes e sempre traz mais pessoas.

O São João do Barco de Fogo de Estância é tão especial e diferenciado, que já foi matéria de programas de TV de veiculação nacional, a exemplo do Globo Repórter, SBT Repórter, Câmera RECORD, Irmão Caminhoneiro, Fantástico(ao vivo com Maurício Kubrusculi)), Jornal Hoje(com Evaristo Costa gravando a matéria em Estância), JN, Faustão, Ana Maria Braga, Bom Dia Brasil e em 2015, Renata Alves gravou um programa especial sobre nossa festa com 23 minutos de duração, veiculado pela TV RECORD. Só para citar as matérias nacionais.

No entanto, os fogueteiro, responsáveis por toda esse beleza, não recebem do poder público o devido respeito e a necessária estrutura para produzir nosso maior bem cultural. Sendo um trabalho à base de pólvora, a legislação exige que a produção atenda severas regras de segurança, que vão desde a definição de uma área fora do perímetro urbano, a construção de barracões para confecção e armazenamento seguro desse material e é aí,  que o fogueteiro sofre todos os anos, esperando a ação do poder público, que demora demais para gir, atrapalhando o processo de produção.

Ontem, no programa Dia a Dia Notícias da rádio Mar Azul FM 104,9, o  filho de fogueteiro, Valdivino, presidente de uma das duas associações de fogueteiros da cidade, entrou no ar indignado com o que ele chamou de descaso e desrespeito da prefeitura de Estância, que até gora não definiu a área onde eles poderão fabricar seus fogos e nem acenou com a possibilidade de construir os barracões e sem isso, o Corpo de Bombeiros não dará a autorização necessária para a fabricação do material da tão festejada pirotecnia.

“Se os fogueteiros tivessem vergonha na cara, não fariam fogos esse ano e assim não teria São João”, disse o presidente em um momento em que sua indignação falou mais alto que a razão.

É inaceitável que os fogueteiros, atores principais da mais significativa parte dos festejos juninos estancianos, estejam mais uma vez vivendo essa lamentável e precária situação, em uma cidade conhecida como Capital Brasileira do Barco de Fogo e que tem como prefeito, o ex-deputado Gilson Andrade, autor do projeto de lei que criou o dia do barco de fogo(16 de junho, aniversário de Chico Surdo, seu criador), que tinha pintada na parede de seu gabinete na Assembléia Legislativa a imagem do barco e sempre se declarou seu maior defensor e incentivador.

Os barcos, os buscapés, as Espadas, as Batucadas(manifestação folclórica única, descendente da fabricação dos fogos), são belos, cativantes, atrativos e representam nosso verdadeira essência cultural do ciclo junino, mas, é preciso que o poder público veja beleza também em seus fabricantes e lhes dedique o devido respeito, pois sem eles não existe “fogo” e sem o “fogo”  “o beco ficará escuro” e Estância não será nada mais que uma simples e pobre cidade sergipana, que faz São João apenas com shows de bandas e o pior: com blocos de carnaval baiano enchendo suas ruas de trios elétricos, abadás e cordas de separação e dizendo que “é isso que o povo gosto, é isso que o povo quer”.

Fonte: Luiz Carlos Dussantus (Acordameupovo) 

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