Sergipe Repórter

Análise: “dopado” pela torcida, Fluminense tira invencibilidade do Olimpia e põe pé na fase de grupos

A vantagem que faltou lá em 2013 contra o mesmo Olimpia veio em 2022. Na revanche nove anos depois, o Fluminense derrubou a invencibilidade dos paraguaios na temporada, ganhou por 3 a 1 na noite de quarta-feira, no Estádio Nilton Santos (veja os melhores momentos no vídeo acima), e colocou um pé na fase de grupos da Libertadores. Em um duelo de nervos à flor da pele, foi uma vitória maiúscula que passou sobretudo por um forte jogo mental, dentro e fora de campo.

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Torcida encheu o Nilton Santos e teve grande parcela em vitória sobre o Olimpia — Foto: André Durão

Torcida encheu o Nilton Santos e teve grande parcela em vitória sobre o Olimpia — Foto: André Durão

A torcida que encheu o estádio com mais de 30 mil pessoas teve grande parcela nisso. Os tricolores deram show na arquibancada e empurraram o time do início ao fim, sobretudo após a falha bizarra de Fábio no gol de empate do Olimpia ainda no primeiro tempo. A reação imediata com gritos de incentivo não deixou a “peteca cair” dos jogadores, inclusive do próprio goleiro, que depois fechou o gol e salvou a equipe com grandes defesas. Foi o que Abel Braga chamou de “doping de incentivo”, e não dá para dizer que ele exagerou no termo.

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Jogo foi de nervos à flor da pele, mas Flu não caiu na "catimba" — Foto: Staff images /CONMEBOL

Jogo foi de nervos à flor da pele, mas Flu não caiu na “catimba” — Foto: Staff images /CONMEBOL

A vitória sobre o Olimpia também passou por outros fatores, como: a genialidade de Luiz Henrique, que deve ter causado até uma hérnia de disco em Iván Torres, seu marcador paraguaio; a incrível presença de área de Cano, que está sempre onde a bola vai; a redenção de Fábio, que fez dois milagres, um em cada tempo; a mexida de Abel no intervalo colocando Martinelli no lugar de Yago, que não vinha bem; e uma atuação segura dos laterais. OFluminense teve volume e terminou o jogo com 18 finalizações contra 10 e oito chances de gol contra cinco.

Ou seja, conseguiu furar a retranca paraguaia em diversos momentos. Além dos três gols, o Tricolor teve uma chance clara logo aos 10 minutos com Yago na área; 10 minutos depois, Cris Silva deu um chute cruzado que por muito pouco Cano não alcançou com o gol aberto; e Willian Bigode, aos 38, saiu cara a cara com o goleiro, mas chutou fraco. No segundo tempo, em contra-ataque aos 20, Cano desperdiçou uma oportunidade de ouro ao cortar o zagueiro na área, mas se enrolou sozinho com a bola e não conseguiu chutar; e aos 32, em grande jogada de Calegari na linha de fundo.

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Mas o Olimpia também criou as suas oportunidades mesmo fora de casa e mostrou que ainda não está morto no confronto. A classificação do Fluminense no Paraguai certamente vai passar por ajustes na bola aérea. Não que isso seja uma deficiência do time de Abel Braga, que só tomou um gol assim em 2022, mas é justamente esse o ponto forte dos paraguaios. Foi assim que eles criaram três das cinco chances que tiveram no Nilton Santos. Os adversários mais altos procuravam o baixinho André na área, e os tricolores perderam a maioria dos chuveirinhos.

Olimpia ganhou a maioria das bolas aéreas na área do Fluminense — Foto: Staff images /CONMEBOL

Olimpia ganhou a maioria das bolas aéreas na área do Fluminense — Foto: Staff images /CONMEBOL

O primeiro passo foi dado: o Fluminense está com um pé na fase de grupos da Libertadores, mas isso não vai adiantar nada se não colocar o outro. O time de Abel Braga faz a partida decisiva contra o Olimpia na próxima quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Defensores del Chaco, podendo perder por até um gol de diferença para se classificar. Antes, porém, o Tricolor, campeão por antecedência da Taça Guanabara, tem a última rodada para fazer e cumpre tabela no sábado, às 16h, contra o Boavista em Bacaxá. Os jogadores se reapresentam na tarde desta quinta no CT Carlos Castilho.

Por Thiago Lima

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