Sergipe Repórter

Ciclistas reclamam da falta de segurança e infraestrutura em Aracaju

Falta de ciclovias expõe ciclistas na disputa por espaços com veículos maiores

Mais de cinco mil pessoas utilizam ciclovias todos os dias em Aracaju, mas essa parcela da população que opta pela bicicleta sofre com riscos diariamente. Esses usuários apontam descaso do poder público com a segurança dos ciclistas na capital sergipana.

Somente de janeiro a outubro deste ano, segundo informações da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), já foram registradas 39 ocorrências de trânsito envolvendo ciclistas em Aracaju – destas, oito sem vítimas, 24 com vítimas não fatais e sete em que perderam suas vidas. 

O F5 News resgata algumas dessas histórias, como as ciclistas atropeladas na avenida Heráclito Rollemberg, zona sul de Aracaju, em que uma não resistiu e faleceu ainda no dia 16 deste mês de outubro. Também na zona sul, no bairro Jardins, um homem de 55 anos foi atropelado no caminho do trabalho na avenida Pedro Valadares no dia 17 de setembro passado. 

As histórias se repetem, nem sempre com mortes, como o caso de uma mulher e criança que se envolveram em acidente com um ônibus do transporte coletivo no dia 31 de maio, na avenida José Carlos Silva, Distrito Industrial de Aracaju (DIA), sentido centro da cidade. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital de Urgência de Sergipe.

O mstre em Desenvolvimento e Meio Ambiente Waldson Costae, membro da ONG Ciclo Urbano, alerta que esses casos mostram como as políticas de educação no trânsito não estão sendo eficientes.

“Uma grande preocupação é a impunidade para motoristas que cometem crimes de trânsito. Existem casos emblemáticos de pessoas que cometem crimes de trânsito em Aracaju, mas que depois são liberadas”, afirma Waldson. Um desses casos é o de um condutor, liberado após depoimento, envolvido na morte de ciclista no bairro Coroa do Meio, zona sul da capital, no dia 3 deste mês de outubro.  

Waldson ainda aponta soluções para esse problema que começam na conscientização dos integrantes do trânsito, como motoristas, motociclistas, ciclistas e até pedestres. “Assim como investimento maciço na construção de ciclovias, ciclofaixas, ciclorrota, bicicletário e uma urgência no processo de redução da velocidade de veículos motorizados”, argumenta o membro da ONG Ciclo Urbano. 

Atualmente, Aracaju possui cerca de 75 km de ciclovia. No entanto, em 2011, a SMTT divulgou a projeção de 100 km para o ano de 2012. Mesmo não se concretizando, em 2015, a capital foi escolhida como cidade mais amigável para o ciclista, segundo ranking de cidades cicloamigas realizado pela União de Ciclistas do Brasil (UCB). 

Waldson também aponta que o Código Brasileiro de Trânsito hierarquiza a proteção do mais forte sobre o mais fraco. Ou seja, o caminhão, por ser maior, deve zelar pela segurança do carro, que deve zelar pela moto, em seguida o ciclista para o pedestre, então cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. No entanto, o contexto atual de violência no trânsito prova que não é respeitada essa responsabilidade. 

Diante disso, o mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente aponta medidas para aumentar a proteção dos ciclistas como: utilizar a ciclovia quando disponível; quando não houver ciclofaixa para atravessar a rua, descer da bicicleta para utilizar a faixa de pedestres andando; optar sempre pelo lado direito da via e respeitar as leis de trânsito”.

 

Estagiário sob supervisão da jornalista Laís de Melo*

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