Sergipe Repórter

Decisão judicial garante que candidato negro participe de curso de formação no concurso da PRF

No dia 17 de setembro deste ano, o Portal Fan F1 divulgou, com exclusividade, o drama vivido por Gláucio Ricardo Santos, de 32 anos. Aprovado nas provas objetiva, física, documental e de saúde do concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele foi excluído do certame na etapa de heteroidentificação, para reconhecimento da sua identidade étnica-racial como negro. 

“Chegando nesse dia, de se apresentar para a comissão formada por cinco pessoas que eles dizem especialistas, fiquei de frente e tirei a máscara para que eles visualizassem a minha fisionomia. De acordo com uma portaria normativa, deve ser levado em conta o fenótipo do candidato, e não as suas raízes, como pai e mãe. Eles avaliaram minha fisionomia e também perguntaram se eu já tinha passado alguma situação vexatória por causa da minha cor, o que eu confirmei e relatei para eles. Quando fui ver o resultado, vi que fui reprovado sem esclarecimento dos critérios utilizados”, lamentou Gláucio à época.

E continuou: “Já passei por discriminações algumas vezes, e nessas situações fiquei congelado, sem reação. Você não acredita que tá acontecendo, não sabe o que fazer, se vai chorar, se vai xingar. A situação foi a mesma desta vez. Quando eu vi que meu nome não estava na lista, fiquei travado, só depois veio uma sensação de revolta”. 

Uma grande comoção tomou as redes sociais em defesa de Gláucio, que recorreu à Justiça para que pudesse continuar no processo. Nesta terça-feira, uma decisão proferida pela Justiça Federal da 5ª Região acatou o pedido e assegurou que o jovem continue no concurso e termine as etapas faltantes, neste caso o Curso de Formação Policial (CFP). Sobre a nomeação e a posse, ficaram condicionadas à aprovação no CFP e após o trânsito em julgado da ação. 

Em entrevista ao Programa Alerta 99, da rádio Fan FM, nesta quarta-feira, 20, Gláucio demonstrou sua felicidade em poder voltar ao concurso, mesmo tendo que buscar isso por meio da Justiça. 

“A Justiça foi feita pela Justiça, estou bem feliz e empolgado. Tudo o que sofri vai me incentivar ainda mais a passar com maestria pelo curso de formação. Me esforcei bastante para passar nesse concurso e por essa infelicidade que aconteceu comigo, fui eliminado. Quando chegou na etapa que eu achava que era a mais simples e fácil, que era só eu chegar no local e eles verificarem que eu era realmente negro, tive como surpresa de ser reprovado. Fiquei incrédulo com a decisão e tive que levantar a cabeça e seguir em frente”, finalizou o jovem. 

A primeira turma do Curso de Formação deve acontecer no início de 2022 e deve durar em torno de seis meses.

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