Sergipe Repórter

Edvaldo Nogueira: “O fato é que estou preparado e tenho experiência suficiente para governar Sergipe”

Rema fora d’água quem está dando o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PDT, como um político desbancado da disputa pelo Governo do Estado de Sergipe nas eleições deste ano. Edvaldo Nogueira se admite mais pré-candidato do que nunca.

Em conversa com a Coluna Aparte nesta quinta-feira, 20, Edvaldo Nogueira diz que o processo pela escolha final está nas mãos do governador Belivaldo Chagas, PSD, lamenta a virulência do chamado fogo amigo contra sua pessoa e o seu projeto e levanta os créditos de gestor da capital como seu cartão de visita para se expor ao Estado todo e as pesquisas eleitorais como testemunha de suas convicções positivas perante a sucessão.

Para começo de conversa, Edvaldo Nogueira adverte que nunca dissera, em circunstância alguma, que estaria desistindo de se viabilizar pré-candidato à sucessão de Belivaldo Chagas e com o aval do próprio governador. De todos os que estão se declarando no páreo – Fábio Mitidieri, Laércio Oliveira e Ulices Andrade, esse mais discretamente de público, mas ativo em bastidores -, Edvaldo foi o último a colocar o projeto na rua.

JOGO DE VERDADES E MENTIRAS – Isso aconteceu no dia 18 de outubro do ano passado, durante entrega da infraestrutura do loteamento Tia Caçula, no bairro Dom Luciano, Zona Norte da capital. “Durante um bom tempo, a todos os jornalistas que me ligavam, incluindo você, eu dizia: “Olha, não estou ainda querendo falar de política. Eu só falarei sobre candidatura quando nós tivermos 70% da população vacinada, porque eu estou com minha cabeça no combate à Covid-19. Mas durante uma inauguração dei uma entrevista e disse: “Hoje eu estou colocando meu nome à disposição da coligação para ser apreciado”. Depois daquele dia em diante, até ontem, até hoje e até depois de manhã meu nome está à disposição da coligação de partidos da base aliada do Governo do Estado de Sergipe para ser apreciado”, disse Nogueira, nesta quinta-feira.

Mas qual seria a lógica atribuída ao boato da sua desistência? “Não tem lógica nenhuma. Há muitos boatos que disparam por aí e ninguém me pergunta se são verdades ou se são mentiras. Este mesmo de que eu desisti da pré-candidatura é um deles. O que há, infelizmente, é muita gente que acha que pode fala por mim. Alguns ficam ouvindo boatos e só boatos, e publicam. Tem uns que inventam boatos, e botam, mas tem também gente interessada nisso, para ver se eu desisto. Mas é preciso que se saiba quem são os políticos que estão por trás destes boatos”, fustiga Edvaldo.

Pela própria natureza, Edvaldo Nogueira é uma figura pública permeada pela timidez. Para alguns observadores da cena política, até relapso demais consigo mesmo no enfrentamento aos que lhe bicam o fígado. Mas ele passa longe de ser um desavisado. Edvaldo diz, por exemplo, que sabe da existência do famoso fogo amigo e consegue até farejar onde está a cepa ou o bulbo deste fogaréu.

SINTO QUE TENHO SIDO O MAIS MASSACRADO – “Obviamente está claro que nesse processo político de debate que está havendo aí sinto que tenho sido o mais massacrado por todo mundo e em todos os aspectos. A começar por essa coisa de que não devo ser candidato porque não cumpro compromissos com ninguém, de que não converso com a classe política – tudo isso são colocações feitas na tentativa de diminuir ou macular a minha imagem de homem público e de pré-candidato ao Governo de Sergipe”, aponta ele.

Aponta, e ao mesmo nega essa caracterização que querem lhe impor. “Eu sou completamente um cumpridor de compromisso e de palavra. Não tem em Sergipe um homem público que cumpra mais a palavra do que eu – se tiver um bom cumpridor, empata comigo. Essa de que não conheço o interior de Sergipe faz parte também dessa tentativa de diminuir a minha performance política. E digo mais: grande parte disso tudo vem do chamado fogo amigo. Infelizmente, um setor importante da política só vê defeitos. E onde ficam as qualidades?”, revela.

Edvaldo Nogueira identifica na disputa pela indicação do pré-candidato ao Governo pela ala governista uma fraternidade invertida quando o nome é dele entra na pauta. “Em vez de eu ser alvo de uma discussão de alto nível, criteriosa e fraterna, como deve ser, nesse tempo todo fui alvo foi de ataques. Com relação aos demais, está tudo num clima de fraternidade. Só que comigo não. Não fui e nem tenho sido. A fraternidade comigo tem sido um tijolaço”, reclama.

TENHO O PREPARO PARA TANTO – Mas nada disso, admite Nogueira, lhe tira o foco de tentar trazer para si a chancela de candidato a governador – e sem fissurar a unidade do bloco, se é que ainda é possível. Aqui ele brande como uma alta credencial a sua condição de gestor de Aracaju por 12 anos e quatro mandatos.

“Sobre as quatro pré-candidaturas que temos aí, quero dizer que coloquei meu nome à disposição por questões que considero fundamentais para que assim procedesse. A primeira delas, é que tenho o preparo para tanto. Estou preparado para ser candidato a governador no sentido de ser conhecedor do Estado, de ter uma experiência administrativa comprovada, de ter realizado na Prefeitura de Aracaju esse trabalho que está sendo visto pelo quarto mandato da cidade”, diz ele.

“Portanto, tenho estudado esse Estado que conheço. Eu tenho reunido pessoas para conversar e discutir as questões estaduais sergipanas. Eu me sinto preparado. Eu nem vou responder a ninguém que pense ou que diga que não conheço o Estado. Não vou dar nenhuma resposta a ninguém sobre isso, porque o fato é que estou preparado e que tenho experiência suficiente para governar Sergipe – tanto é que todos veem o resultado de Aracaju e tudo que nós fizemos por ela nesses cinco anos”, reitera o prefeito.

Belivaldo Chagas: que seja o comandante e que decida

“NÃO SOU PRÉ-CANDIDATO POR PODER OU VAIDADE” – Edvaldo Nogueira diz que nesse processo de procura por viabilizar-se candidato ao Governo é fundamental separar sua vontade de servir das eventuais vontades de poder e de vaidade de outros – a quem ele não cita nomes. “Não sou pré-candidato a governador pelo simples poder de ser candidato, ou por uma vaidade de ser governador”, pondera.

“Eu coloquei meu nome porque acho que estou preparado, e ponto. As condições são essas: acho que estou preparado. E não é um achismo verbal. Vernacular. É preciso dizer aos sergipanos em geral e aos aracajuanos em particular que topei a minha pré-candidatura a governador, mas não é porque eu tenha vaidade de sê-lo. Que fique claro: o poder pelo poder não me interessa. E se eu for governador vou me esforçar para dar o mesmo resultado em favor do Estado que tenha dado por Aracaju. Esse é o meu projeto”, reforça.

Edvaldo também acena para as pesquisas, que têm lhe dado liderança absoluta, como mais um alento. “Um outro aspecto, que está dentro desses pilares todos de que falei, é que as pesquisas eleitorais, as sondagens que são feitas por todos os institutos, inclusive publicadas aqui pelo Portal JLPolítica, têm mostrado que estou em primeiro lugar na preferência. Têm mostrado sem nenhuma mascaramento – seja lá por quem for feita a pesquisa. Então todos esses elementos me fizeram colocar meu nome à disposição e ele está mantido”, diz.

OS OUTROS TRÊS PRÉ-CANDIDATOS DO BLOCO SÃO COMPETENTES – Nisso não há, literalmente, restrição a nenhum dos que estão tentando, paralelamente a ele, se colocar de pé no páreo. “E digo mais: sem sangria desatada e considerando que os outros três pré-candidatos do nosso bloco são competentes, têm história e são bons companheiros – Fábio Mitidieri, Laércio Oliveira e Ulices Andrade. São três nomes respeitáveis, companheiros de jornada e da nossa coligação”, diz.

Edvaldo Nogueira não impõe um limite para ele neste projeto – e nem para ninguém do seu agrupamento. “Eu vou até aonde achar que devo ir. O limite da minha pré-candidatura é o meu limite, mesmo eu sabendo que em política a pessoa não pode botar prazo, não pode botar data, não pode botar limites. A política é dinâmica e, no meu caso, se amanhã eu acordar e não quiser mais ser um pré-candidato, então direi que não quero. Mas até agora nunca disse isso e não vejo motivos, até este instante em que conversamos, para dizê-lo”.

De por Edvaldo Nogueira, o governador Belivaldo Chagas deve ser o regente do processo e ter liberdades para tanto. “A atitude de Belivaldo até agora é a de um líder. Ele é o líder do projeto e todos nós que estamos nesse projeto colocamos na mão dele essa responsabilidade de conduzir os entendimentos. Ele está conduzindo”.

“ESTOU ESPERANDO O ACENO DE BELIVALDO CHAGAS” – Mas o senhor vê uma tendência de Belivaldo para um dos quatro nomes? “Não posso responder a essa pergunta. Ele é que tem que dizer. Eu não tenho conversado com Belivaldo amiudemente sobre a eleição. Tivemos uma única reunião coletiva e de lá pra cá não conversamos mais. Existe um esforço coletivo de todos por um nome de consenso – pelo menos isso foi o expresso na única reunião. Não sei se mudou – de lá pra cá também não tenho conversado sobre política. Estou esperando o aceno do governador Belivaldo Chagas”, esclarece.

“Mas o que ficou na reunião foi que todos íamos lutar para se ter um candidato único em nome de todos nós. Esse esforço continua. Agora, o que vai ser no futuro, ninguém sabe. Porque o futuro é sempre algo a ser desvendado. A posição política será tomada mediante a realidade que for colocada. Quero apenas reafirmar que o meu esforço pessoal é o de manter a união do grupo. E manter o governador Belivaldo como líder desse projeto. Essa é a minha posição”, avisa o prefeito de Aracaju.

O senhor seria candidato numa atitude de ruptura com o grupo do Governo? “Essa hipótese não está posta no momento. É uma hipótese que não existe, porque não vejo essa possibilidade. Eu tenho na Prefeitura de Aracaju ainda três anos de mandato. Então,  na decisão de ser candidato, terei que renunciá-la, que é um fato que precisa ser milimetricamente pensado. Isso pesa muito. Obviamente que pesa. Só não pesaria se eu fosse um desumano ou se quisesse o poder pelo poder. Eu não quero nem uma coisa nem outra. Eu tenho humanidade e tenho compromisso com o eleitor que me elegeu e que me reelegeu para ficar quatro anos na Prefeitura”, diz.

Fonte: Site www.jlpolitica.com.br

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