RIO — Eram 6h do domingo retrasado quando a mensagem mais aguardada no grupo de uma festa clandestina foi postada. Nela, os organizadores informavam o ponto de encontro: ao lado da estação do metrô Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. No local, quem não tinha comprado ingresso antecipado deveria aguardar uma van para ser levado ao endereço da balada. Somente a “lista amiga”, que permitia pagar mais barato, tinha 35 nomes. Numa casa com piscina, DJs, drinques e aglomeração, o evento transcorreu em clima de rave por 14 horas — das 8h às 22h de domingo. Nenhum fiscal apareceu para acabar com a farra.

Nas últimas semanas, repórteres do GLOBO entraram em grupos de WhatsApp em que jovens marcam eventos à revelia das regras sanitárias. Neles, os participantes também falam das medidas restritivas — em geral, criticam — e comemoram quando conseguem ludibriar a fiscalização, no momento em que o Rio enfrenta um dos piores momentos da pandemia. Neste domingo, dia 4, no estado, 682 pessoas aguardavam na fila por uma UTI. São 15 dias seguidos do aumento da média móvel de mortes e 37.687 óbitos desde o ano passado.

Fonte: O Globo