Sergipe Repórter

Juntos, salários de 16 coronéis chegam ao montante de R$ 1,6 milhão em três meses

Em tempos de luta dos profissionais da Segurança Pública em torno do retorno do pagamento do adicional de periculosidade, eis que uma situação chamou a atenção da equipe de Reportagem Investigativa do Jornal Fan F1. 

O semanário decidiu ir a fundo e analisou os salários pagos dentro da Polícia Militar de Sergipe (PM/SE), principalmente após o governador Belivaldo Chagas afirmar que os policiais lutam por uma gratificação de R$ 10 mil, através do Movimento Polícia Unida, que une, de forma inédita no Brasil, civis e militares. 

Antes de tudo, é válido esclarecer essa afirmação feita pelo governador. Em sua fala, Belivaldo leva em consideração os vencimentos de um pequeno grupo que está no último grau de suas carreiras. No caso da Polícia Civil, cerca de 160 delegados, e na Polícia Militar, 16 coronéis. 

E por falar em coronéis, a Reportagem apurou que, nos meses de maio, junho e julho, juntando os salários dos 16 que compõem o quadro da PM/SE, o montante ultrapassa R$ 1,6 milhão (R$ 1.627.221,22). 

Para se ter ideia, em maio, o grupo dos 16 coronéis embolsou R$ 523.274,35; Já em junho, o montante foi de R$ 588.475,30 e em julho, os valores foram de R$ 515.471,57. 

Dentre os campeões em recebimentos, estão: o comandante geral da PM, o coronel Marcony Cabral, que recebeu no mês de maio R$ 31.500,00, em junho R$ 87.750,00 e em julho R$ 42 mil; o chefe da PM 2, o coronel Edenisson Paixão, que em maio recebeu o montante de R$ 41.154,15, em junho R$ 37.091,65 e no mês de julho, R$ 52.116,24; e o comandante do Interior, o coronel Fábio Rollemberg, que no mês de maio recebeu salário de R$ 38.045,00, já em junho, o montante foi de R$ 47.310,14 e no mês de julho de R$ 38.045,00. 

“É inadmissível que um grupo tão pequeno tenha salários tão altos em detrimento de uma enormidade de policiais que recebem um salário de dar pena. O governador tem que ser mais humano e não medir nós profissionais com a mesma régua de 16 abastados que recebem acima de R$ 25 mil por mês fora as diárias. Quero deixar claro que a imensa maioria dos policias recebem salários onde o bruto não passa de R$ 6 mil”, disse um cabo da PM, que preferiu o anonimato por medo de represália dentro da corporação. 

O praça aproveita para relatar privilégios dentro da PM no tocante à Indenização por Flexibilização Voluntária (IFV), aprovada na Assembleia Legislativa em janeiro do ano passado, e que autoriza o militar a tirar plantão no dia em que teria folga, como forma de aumentar o seu salário. 

“As IFVs, que é o serviço extra, não atingem nem 30% dos policiais, alguns são privilegiados em ter 10 IFVs por mês, justamente aqueles que trabalham com alguns coronéis. A maioria da tropa, se tirar muito é três IFVs por mês”, denuncia o cabo. 

As instituições de defesa da categoria militar foram procuradas para comentar a matéria, mas, em virtude do atual momento de luta conjunta através do Movimento Polícia Unida, preferiram não se manifestar. 

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