Mulheres de Sergipe: 200 anos de histórias de luta e pioneirismo

Mulheres de Sergipe: 200 anos de histórias de luta e pioneirismo

Este 8 de julho de 2020 marca o bicentenário da emancipação política de Sergipe. São 200 anos de uma história ainda recente, mas marcada por muitas conquistas e fatos importantes. Alguns deles foram protagonizados por mulheres, cujos nomes estão e estarão sempre incrustados na história sergipana.

A aracajuana Maria Rita Soares de Andrade, por exemplo, foi a primeira mulher nomeada Juíza Federal no Brasil. Nascida em 3 de abril de 1904, filha de operários, ela formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1926, sendo a 3ª no Estado a conseguir esse feito. Atuou como advogada, foi membro do Ministério Público e do Conselho Penal e Penitenciário, professora e teve atuação de destaque no movimento feminista ao lado de Bertha Lutz,  carioca que lutou pelos direitos políticos das mulheres.

Alina Leite Paim nasceu em Estância, em 10 de outubro de 1919, mas foi criada em Simão Dias. Militante do Partido Comunista do Brasil e das causas feministas, foi perseguida pelo regime militar, sofrendo perseguições e pressões de toda ordem inclusive processo judicial conforme relatado pelo pesquisador Gilfrancisco dos Santos. Além de contribuir com artigos em vários jornais, Alina escreveu dez romances, nos quais há  personagens femininas e feministas que lutam por um mundo mais justo, e quatro livros infantis, tendo alguns deles editados na Rússia, China, Bulgária, e Alemanha.

Itabaianense, Maria Thetis Nunes foi a primeira sergipana a ingressar no ensino superior, formando-se em História e Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Nasceu em 6 de janeiro de 1925 e também foi a primeira mulher a lecionar no Colégio Atheneu Sergipense, de onde também viria a se tornar sua primeira diretora poucos anos depois.

Ela foi nomeada diretora do Centro de Estudos Brasileiros na Argentina e, quando retornou a Sergipe, em 1968, passou a ocupar o cargo de professora titular de História do Brasil, História Contemporânea e Cultura Brasileira da recém-criada Universidade Federal de Sergipe, de onde foi vice-reitora por duas vezes e tornou-se professora Emérita ao se aposentar depois de 47 anos de serviços prestados ao Magistério.

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Nomes que estão e estarão sempre incrustados na história sergipana

Ofenísia Soares Freire, natural de Estância, foi uma pofessora e intelectual sergipana que deixou sua marca na atividade docente, lecionando no Atheneu Sergipense e nos Colégios Jackson de Figueiredo e Tobias Barreto. Foi também militante política e, na Ditadura Militar, chegou a ser perseguida, tendo seu mandato como conselheira estadual da educação extinto e afastada da cadeira no Atheneu Sergipense.

Intelectual respeitada publicou inúmeros livros, com destaque para a obra “Presença Feminina em Os Lusíadas”, tendo sido a segunda mulher a assumir uma cadeira na Academia Sergipana de Letras. Faleceu em 24 de julho de 2007 aos 93 anos deixando um vasto legado intelectual para o estado de Sergipe.

Professora e pesquisadora, Aglaé Fontes nasceu na cidade de Lagarto, mas morou em diversas cidades em virtude da profissão do pai, servidor público. Com passagens pelo  Centro de Criatividade de Sergipe, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e integrante da Academia Sergipana de Letras, Aglaé chegou a ser secretária de Estado por três vezes e ajudou muitos a ingressarem na vida artística, com sua escolinha de música, por volta do ano de 1950. Ela é uma grande conhecedora e incentivadora da cultura sergipana.

Na política, a grande referência em termos de mandatos e de permanência na vida pública ainda é Maria do carmo Alves, que está em seu terceiro mandato de senadora. Advogada formada pela Universidade Federal de Sergipe, filiou-se ao extinto Partido da Frente Liberal, PFL, em 1996, obtendo o terceiro lugar na disputa pela prefeitura de Aracaju, em sua primeira disputa eleitoral. Na eleição seguinte, 1998, elegeu-se senadora da República por Sergipe.

Foi reeleita nas eleições de 2006, mas licenciou-se do mandato por motivo de saúde. Em 2014, foi eleita para o seu terceiro mandato como senadora, consagrando-se a primeira e única mulher, até agora, a ser eleita para três mandatos no Senado Federal. É claro que não dá para resumir 200 anos de história em alguns nomes apenas, mas se depender da Coluna Política & Mulher, nenhuma sergipana que lute por causas tão justas será desconhecida em sua própria terra.

Fonte e Foto: JL POLITICA

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