Sergipe Repórter

Orlinha dos Pobres é o cenário da omissão

Que lugar é esse que a prefeitura fecha os olhos, a polícia não age, os vereadores se anulam da discussão e a população tem medo de denunciar? Essa é a “Orlinha dos Pobres”, uma das regiões de maior vulnerabilidade do Estado, localizada na redondeza da feira livre do município de Estância.

Uma breve pesquisa no Google sobre a região e o que se encontram são apenas notícias de mortes, tentativas de homicídios, brigas, apreensão de drogas, e até palco de uma operação da Polícia Rodoviária Federal de combate à exploração sexual infantil, em 2018.

Segundo os moradores, o problema é antigo, mas só vem piorando, e ninguém suporta mais tanta baderna. O barulho é dia e noite, onde só quem não escuta são as autoridades. “Aqui na Orlinha é todo dia bebedeira, drogas, prostituição e som alto e não fazem nada. As pessoas ficam urinando em nossas portas, falando alto, incomodando e nada acontece”, comenta um estanciano, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

As famílias lamentam que o local esteja tomado de usuários de álcool e outras drogas, diariamente e em plena luz do dia. Indignado, uma pessoa postou na internet um vídeo da bagunça na Orlinha dos Pobres, e reclama que o espaço virou uma cracolândia. Inclusive, os moradores relatam que já fizeram um abaixo assinado e nenhuma providência foi tomada. “Gostaria de saber quando o MP (Ministério Público) vai desenterrar esse abaixo assinado com 500 assinaturas. Tá engavetado. Porque será? Acho muito estranha a omissão dos órgãos públicos”, comentou um internauta. A lamentável situação do espaço, que é uma continuidade da feira livre do município, incomoda também os transeuntes. “Essa orlinha tem que fechar. Não agrega nada de bom a cidade. Tantos anos, tantos mandatos e ninguém nunca fez nada. Falta de respeito com vários moradores de bem que passam por ali. Ver gente usando drogas, como já vi várias vezes. Mulheres que se prostituem, morte , tentativas. Pelo amor de Deus! Tão perto da feira onde tanta gente tá ali todos os dias”, reclama outro estanciano.

“O poder legislativo da nossa cidade é conivente com a orlinha. Já são diversas tentativas de assassinatos e muitas mortes rolam ali, mas nunca ninguém se prontificou em tirar esse pessoal. Triste ver um espaço no centro da cidade, ao lado da feira livre, um local que poderia ser utilizado para fins rentáveis para a economia da cidade, ficando a mercê da criminalidade”, opina.

A omissão por parte das autoridades é o que mais assusta. O JORNAL DA CIDADE procurou o Ministério Público de Sergipe e, por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Estância, foi informado que foi aberto o procedimento 43.21010015. “O MP esteve no local (certidão) e vai marcar audiência com todos os órgãos municipais, por envolver diversos assuntos, inclusive temas delicados. Por causa da pandemia e a dificuldade de comunicação e alinhamento de todos os atores sociais, a audiência ainda não tem data marcada”.

A Prefeitura de Estância também foi procurada para falar sobre o caso. A Assessoria de Comunicação informou que a Secretaria de Assistência Social do município iria enviar um relatório com informações sobre a Orlinha dos Pobres, porém até o fechamento desta edição, nada foi enviado. O JORNAL DA CIDADE continuará acompanhando o caso, junto ao MP, e permanece com o espaço aberto, no intuito de dar visibilidade ao fato, ajudando não somente os moradores que ali vivem, como também acompanhar a situação dos donos de estabelecimentos, que dali tiram o sustento da família. Os próprios usuários de drogas necessitam de apoio naquela região.

|Redação/JC
Foto: Divulgação

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