Sergipe Repórter

Paçoca de carne seca bate novo recorde de ‘maior do mundo’ e é servida de graça em arraial de Boa Vista

Prato típico de origem indígena chegou a 1.131 Kg, superando em 81 kg o próprio recorde. Para acompanhar a iguaria, 22 mil bananas foram distribuídas à população. Pesagem ocorreu nesse sábado (18) durante o Boa Vista Junina 2022.

Com 1.131 kg decarne seca e farinha amarela e, batendo o próprio recorde, a “maior paçoca do mundo” foi distribuída gratuitamente para a população nesse sábado (18), última noite do arraial Boa Vista Junina 2022.

A pesagem oficial começou por volta das 19h, em um cenário que imitava as tradicionais casas de farinha, comuns em áreas indígenas e rurais de Roraima. A paçoca começou a ser distribuída às 19h20. A fila para receber o alimento também foi grande e chegou a atingir um dos portões do evento.

Neste ano, a iguaria superou em 81 kg o próprio recorde, registrado em 2019. À época, foram distribuídos 1.050 kg do alimento.

Iguaria chegou a 1.131 kg. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Iguaria chegou a 1.131 kg. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

A iguaria, diferente da paçoca doce de amendoim, é feita à base de carne seca e farinha amarela. Em 2022, o preparo teve 700 kg de carne seca, 400 Kg de farinha amarela, cerca de 40 litros de óleo e 80kg de cebola.

Para 2022, a prefeitura decidiu inovar no formato e serviu em potes de plásticos lacrados, diferente de anos anteriores em que o alimento era servido em um cone de papel.

A mudança foi para garantir mais higiene devido à pandemia, como explica a superintendente da Fetec, Alda Amorim.

“Nós estamos há dois anos sem ter um grande evento de forma presencial, para a gente é uma felicidade é o reencontro. Como é um evento pós-pandemia, a gente limitou o pessoal que manuseia o alimento e depois disso ele está lacrado”.

Outra novidade desta edição foi a distribuição de bananas, isto porque o costume típico é comer a iguaria acompanhada da fruta. Conforme a prefeitura, foram distribuídas 22 mil bananas, da região do Passarão, zona rural do município.

“Todo boavistense, todo cidadão aqui da nossa cidade sabe que uma boa paçoca tem que vir acompanhada de banana e tá sendo esse grande sucesso”, reforçou o prefeito Arthur Henrique (MDB).

Espera pela paçoca

maior paçoca do mundo” começou a ser servida em 2015, quando a prefeitura decidiu distribuir porções do prato típico ao público do arraial. Apesar disso, muitas pessoas ainda não haviam provado a iguaria.

Maria Eliete, de 42 anos, chegou ao arraial antes das 18h e fazia parte da fila de pessoas que aguardavam uma porção da paçoca gigante. Ela nunca havia provado o prato.

“Pelo o que vi essa é a maior [paçoca] do mundo mesmo e eu espero que também seja a mais gostosa. Eu vejo muito o pessoal falar sobre ela e essa vai ser a primeira vez que vou experimentar”, disse.

Maria Eliete foi uma das primeiras da fila — Foto: Yara Ramalho/g1 Roraima

Maria Eliete foi uma das primeiras da fila — Foto: Yara Ramalho/g1 Roraima

Diferente de Eliete, o servidor público Saturnino Golçalves já havia comido a iguaria antes e, no arraial, foi a primeira pessoa da fila a recebê-la. Caracterizado com chapéu de palha e roupa quadriculada, ele contou que tinha ido do bairro Tancredo Neves, zona Oeste de Boa Vista , e esperado mais de 5h para conferir o recorde.

Saturnino Gonçalves foi a primeira pessoa a receber a iguaria. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Saturnino Gonçalves foi a primeira pessoa a receber a iguaria. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

“São dois anos sem paçoca e já é uma tradição. Esse ano ainda tem a novidade que é a banana. Estava com saudade, cheguei aqui às duas da tarde e, se fosse possível, esperava até amanhã de manhã para quebrar esse jejum”.

Para Iracir Gomes, de 63 anos, e a filha dela, Valeska Dayana, de 41, que também só tiveram a oportunidade de experimentar nesse sábado, o alimento atendeu as expectativas.

“Essa é a primeira vez e eu só não gostei mais porque foi pouca demais”, brincou Iracir.

Iracir, a filha Valeska e a neta (da direita para a esquerda), no arraial Boa Vista Junina. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Durante a quebra do recorde, a população pôde acompanhar a pesagem oficial, que foi exibida em um telão. A paçoca foi pesada apenas uma vez. O feito foi comemorado com fogos de artifícios com estampido, o que é proibido por lei.

A preparação da paçoca foi feita pela empresa “Tia Nega”, contratada pela prefeitura por R$ 60 mil para produção do prato. O empreendimento participou da primeira edição da paçoca gigante, em 2015, quando meia tonelada foi servida ao público do arraial.

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  • Começa produção da ‘maior paçoca do mundo’, com 700 Kg de carne seca e 400 kg de farinha

O preparo iniciou na última quarta-feira (14) e, ao todo, 12 profissionais atuaram na produção da enorme quantidade de paçoca de carne.

Até chegar ao sabor já conhecido pelos roraimeneses e que desperta curiosidade de quem não é do Norte, a carne usada é desossada e levada ao sol, para o processo de secagem. Com ela seca, a carne é frita e, depois, triturada com a farinha em uma máquina.

A farinha utilizada na paçoca foi trazida da região do Projeto de Assentamento Nova Amazônia, na zona Rural da cidade. Após a fritura da carne, o óleo utilizado deve ser doado à Fazenda da Esperança, instituição que ajuda na recuperação de pessoas dependentes de álcool e drogas.

Fila chegou a um dos portões de entrada do evento — Foto: Samantha Rufino/g1 RR

‘Maior paçoca do mundo’

A história da “maior paçoca do mundo” começou em 2015, quando a prefeitura decidiu servir gratuitamente ao público do arraial porções do prato típico. Naquele ano, foram distribuídos 500 Kg a 20 mil pessoas.

Depois, nos anos seguintes, os recordes foram batidos. A última vez que a paçoca foi servida foi em 2019, onde a quantidade chegou a 1.050 Kg. Nos anos de 2020 e 2021 não teve o arraial por conta da pandemia. Este ano, a festa voltou a ser realizada.

‘Maior paçoca do mundo’ sendo destribuída no Boa Vista Junina 2022. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

À época, em 2015, a ideia era levar a iguaria ao Guinness Book, o livro dos recordes, o que ainda não ocorreu sete anos depois, por “questões burocráticas”.

A Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec) explicou que “após 2 anos sem a edição presencial do Boa Vista Junina, este projeto [de levar a paçoca ao Guiness] seguiu com uma estratégia local que continuará crescendo a cada ano, dentro das condições permitidas e viáveis dentro do setor público”. A ideia é em 2023 inseri-la no livro dos recordes.

Evolução da ‘maior paçoca do mundo’
Por Yara Ramalho e Samantha Rufino, g1 RR

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