Relação política entre Ivan Leite e Gilson Andrade, de Estância, foi parar no brejo

Relação política entre Ivan Leite e Gilson Andrade, de Estância, foi parar no brejo

As relações políticas entre os velhos e históricos aliados Gilson Andrade, médico e prefeito de Estância, e Ivan Leite, engenheiro e ex-prefeito de Estância, vêm se deteriorando a céu aberto ultimamente. E rapidamente.

Nesta terça-feira, 25, numa entrevista aos jornalistas Rosalvo Nogueira e Paulo Souza, na Rádio Jovem Pan, Ivan Leite falou pela primeira vez numa possibilidade concreta de abandonar a parceria e de ir com candidatura própria ou até mesmo apoiar Márcio Souza na sucessão estanciana deste ano. Ou seja, deu uma dica clara de que a relação entre eles já foi parar no brejo.

Ivan Leite é eminência coloridíssima no atual Governo de Estância, com a esposa Adriana Leite sendo a vice-prefeita ao lado de Gilson, como fruto da eleição de 2016. Gilson já foi vice-prefeito de Ivan, mas ambos viraram dois bicudos que não se beijam nem amarrados. O que se diz em Estância é que Gilson nunca deu espaço real e confiável para que a professora Adriana se movesse bem dentro do Governo.

Daí a dissolução da parceria entre eles dois. Daí o brejo por destino. Na entrevista de hoje, Ivan deixou claro ao dizer com todas as letras que têm dois projetos a seguir: ou de candidatura própria à Prefeitura, e isso seria com Adriana Leite assumindo uma cabeça de chapa, ou apoiando o pré-candidato Márcio Souza, PSOL, que já perdeu a eleição de prefeito três vezes, mas agora estaria bem cotado. É bom lembrar que Adriana não é uma tábula rasa nesse processo. Aprendeu rápido, disputou uma eleição de deputada em 2018 e gosta dessa gincana.

Ir com Adriana Leite em carreira solo é, para Ivan, “uma possibilidade, mas não é uma decisão tomada ainda”. “Existe também a possibilidade de apoiar o candidato a pré-prefeito Márcio Souza, que é um economista formado pelo Universidade Federal de Sergipe, que é um sargento da Polícia Militar, e que tem uma postura correta de ser. Não estamos ainda fechados na questão, mas há essa possibilidade”, disse Ivan aos dois moços da Jovem Pan nesta terça solenemente e sem muita afetação.

Quando fala de Márcio, Ivan parece absolutamente desprovido de barganhas políticas, como uma vaga de vice-prefeito na chapa, por exemplo. Nada disso. “Nem se fala em vice. Mesmo porque o pré-candidato Márcio Souza tem um acordo com o vereador Tito Magno para ser o seu vice”, diz. Tito é filho de Carlos Magno, ex-prefeito que não tromba bem com Ivan.

Tendo enfrentado Márcio Souza numa das sucessões de Estância e o vencido, Ivan diz que ele “demonstrou uma postura íntegra e respeitosa” e que “isso faz com que” até admita essa “possibilidade” de apoiá-lo agora. “Num momento de campanha faz com que a pessoa perca as estribeiras e baixe o nível”, expõe Ivan, para dizer que Márcio não caiu nessa tentação.

“Estamos realmente tendentes a ficar ou com candidatura própria ou com o apoio a Márcio Sousa. Ainda não temos a definição final”, reforça o ex-prefeito. Mas esse apoio pode se dar mesmo diante das discordâncias que Ivan tem ao PSOL, partido de Márcio, com o qual admite não ter afinidade “ideológica e nem de postura”.

“Apesar de ele ser do PSOL, a postura dele é muito correta e no interior se vota muito mais pela pessoa do que pelo partido. E nós estamos levando em conta esse aspecto. Existe essa possibilidade e estamos analisando para ver se isso realmente se concretizar ou não”, reforça.

O mais denso de toda essa briga de brejo entre Ivan e Gilson é que Ivan expõe agora, e com vigor, mágoas em relação ao comportamento “pouco parceiro” de Gilson Andrade. “Ainda não decidimos como iremos caminhar nessa eleição. Mas realmente não estou satisfeito com a situação atual, tenho minhas observações críticas encima de fatos recentes que me deixaram muito triste com o desempenho do atual prefeito”, diz ele.

Gilson Andrade, na versão do Ivan dissidente, estaria adotando atitudes que atrasam o futuro e o desenvolvimento da cidade. “Nós tivemos aqui em Estância uma interinidade da vice-prefeita, a professora Adriana Leite. Ela assumiu por 15 dias, durante o período de licença do prefeito, e nessa ocasião foi lançado pelo presidente da República o Programa de Escola Civil-Militar. De imediato, ela, como prefeita, encaminhou um ofício para o presidente dizendo do interesse para implantar esse escola aqui no município. Ela teve uma resposta positiva do MEC. (Estância) atendia os requisitos necessários para essa escola, mas, infelizmente, o prefeito posiciona-se contrário à vinda dessa escola, o que eu acho uma falha gigantesca. Foi um primeiro sinal. Eu realmente não gostei nem um pouco da decisão do prefeito. Mas, enfim, o prefeito é ele, ele tomou a decisão e eu me reservo o direito de criticar essa decisão, porque efetivamente não acho correta”, diz Ivan.

O ex-prefeito Ivan Leite evoca, ainda, outro caso no qual, segundo ele, Gilson Andrade teria espantado a possibilidade de o Grupo Maratá implantar um moderníssimo matadouro frigorífico em Estância. “Mais recentemente, um prejuízo gigantesco que o município de Estância teve foi a perda do Frigorífico Maratá, que já tinha dito em folhetos que viria para Estância, já havia tido duas reuniões com o atual prefeito para tratar de um terreno que precisava ser desapropriado. Era um terreno pequeno. A Maratá tinha um terreno gigantesco, que estaria todo disponível para o frigorífico, mas para complementar havia um pequeno pedaço que precisava ser desapropriado”, diz Ivan.

“Infelizmente, o prefeito não tomou a iniciativa de desapropriar muito rapidamente, sob o argumento de que a Maratá ainda não havia batido o martelo em definitivo. Um dos principais requisitos para o empreendedor é a rapidez no empreender. É a rapidez no decidir o que está pendente. Ora, se tem um pequeno terreno e o empresário quer fazer um investimento de porte gigantesco, o que a Prefeitura tem que fazer? De imediato, desapropriar”, reforça Ivan.

“Aí pergunta-se: “ah, e se ele não viesse?” O terreno não ia fugir. O terreno estaria lá, disponível. Podia ser feito, como eu fiz na minha gestão, que comprei áreas estratégicas dentro do município e pelo município e doei à Codise para que ela pudesse atrair empresas para Estância. Estância conseguiu empresas em função dessa coragem de comprar terrenos e fazer oferecimento para indústrias. Então essa perda [do frigorífico] foi gigantesca e demonstra uma quebra de sintonia total com o desejo de atrair empresas para Estância”, afirma Ivan.

Na semana passada, os executivos José Augusto Vieira e Frank Vieira, mantenedores do Grupo Maratá, assinaram contrato com a Prefeitura de Lagarto, cujo município vai abrigar o matadouro que um dia quase fora de Estância.

Com informações do Portal JL POLITICA

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