Safra de milho chega a 847.797 toneladas em SE

Safra de milho chega a 847.797 toneladas em SE

Número é recorde e dá ao Estado a posição de 4º maior produtor do Nordeste

A safra de milho em Sergipe superou qualquer expectativa no ano de 2020 e chegou a 847.797 toneladas – a maior já vista no Estado. O crescimento é de 29,3% em relação a 2019, deixando o Estado como 4º maior produtor do Nordeste segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca (Seagri). Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta- -feira, 13 de janeiro, também apontam que a produção total sergipana de cereais, leguminosas e oleaginosas na safra 2020 foi de 883.838 toneladas, 27,1% maior que 2019 (695.197 toneladas).

A área plantada em 2020 também foi maior, passando de 147.525 hectares em 2019 para 164.153 hectares em 2020 – um crescimento de 11,3%. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca (Seagri), o grande destaque é a safra recorde de milho. Em se tratando de volume, a cana-de-açúcar se sobressai, com produção superior a dois milhões de toneladas (2.066.705), representando um crescimento de 13% em relação a 2019 (7º do NE). O feijão registrou 3.277 toneladas, um crescimento de 1,4% em relação a 2019. Com uma produção de 151.739 toneladas de mandioca em 2020, Sergipe registrou crescimento de 0,1%, mas obtém a maior produtividade do Nordeste, com 14.438 toneladas por hectare.

A laranja (359.961t) apresentou queda de 4,3% em relação ao ano passado, mas Sergipe se mantém como 5º produtor nacional e 2º do Nordeste no cultivo. E embora tenha havido queda de 9,8% na produção de arroz (31.084t). Um fato interessante: Sergipe é o terceiro maior produtor do Nordeste, mas possui produtividade maior que os dois primeiros colocados do ranking (MA e PI). Enquanto Sergipe produz 7.366 toneladas por hectare, o Maranhão (maior produtor do NE) tem rendimento médio de apenas 1.697 toneladas por hectare.

CRIAÇÃO DE ANIMAIS

Segundo a Seagri, a cadeia produtiva animal foi afetada pela pandemia de Covid-19, mas apresentou grande capacidade de recuperação. O principal rebanho é o de bovinos, com pouco mais de 1 milhão e quatrocentos mil animais e, dentro dele, a cadeia produtiva do leite é uma das mais importantes. “A partir do mês de julho houve uma procura maior pelo produto e os preços voltaram a ficar positivos para os pecuaristas. A produção sergipana é de aproximadamente 1 milhão de litros por dia, e os preços voltaram a ficar bons para o produtor [entre R$ 1,60 e R$ 2,00 por litro], movimentando, portanto, algo em torno de R$ 2 milhões diariamente, sem contar com derivados, como queijos, soro e tudo o que é beneficiado nos laticínios”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, André Bomfim.

A criação de ovinos também é uma importante fonte de renda para os agricultores, considerando a sua grande adaptabilidade às condições do semiárido e a baixa exigência de grandes áreas para exploração, devido ao pequeno porte. O rebanho estadual em 2019 foi de 165.269 ovinos (a média anual é 160 mil animais) e 21.964 caprinos (média anual de 21.401 animais). “Além de possuir um mercado consumidor sempre crescente, o preço é bastante atrativo para os vendedores grandes, dada as condições favoráveis para a produção de alimentos de alto valor biológico (carne, leite e vísceras) e pele de excelente qualidade”, explica.

INVESTIMENTOS

Na avaliação da Seagri, a agropecuária sergipana vivencia um ciclo virtuoso. Além das boas condições climáticas, o governo estadual tem contribuído, com investimentos em genética e manejo do gado leiteiro, assistência técnica e equipamentos. Destaca-se os incentivos, como a redução do ICMS do milho de 12% para 2%, a isenção do ICMS dos derivados do leite e a regularização de queijarias.

Dentre as políticas públicas realizadas pela Seagri, Pronese, Emdagro e Cohidro estão: o Programa de Melhoramento Genético por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que inseminou 1.690 vacas nos últimos dois anos e continua em 2020, com mais 450 animais; a oferta de irrigação pública e Ater para produção contínua nos perímetros irrigados; milhões investidos em diversas cadeias produtivas através do Projeto Dom Távora; a entrega de 3 milhões de raquetes de palma a 872 produtores de 12 municípios, e a distribuição de sementes de milho; crédito fundiário; o trabalho de defesa animal com grande adesão dos pecuaristas, que coloca Sergipe há 25 anos como status de área livre da Febre Aftosa, assegurando a sanidade do rebanho sergipano.

Como um dos principais gargalos do setor agrícola em 2020 foi a comercialização, André afirma que o governo estadual investiu no escoamento da produção com incentivos do Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar. Ainda no primeiro semestre, foi dado início às entregas dos alimentos produzidos nos perímetros irrigados ao PAA da Conab. A ação injetou cerca de R$ 600 mil para os agricultores irrigantes e destinou mais de 200 toneladas de alimentos para populações em vulnerabilidade social e insegurança alimentar. “Outros dois PAAs foram realizados pelo Governo do Estado: um PAA no valor de R$ 700 mil do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Funcep); outro PAA executado pela SEIAS com R$ 3 milhões do Ministério da Cidadania; e mais um PAA com investimento de R$ 130 mil fruto da parceria entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA)”, detalha o secretário.

A conclusão da Central de Abastecimento de Itabaiana (Ceasa) também foi uma ação importante, trazendo 600 postos de trabalho e a estimativa de internalização de 6.800 toneladas de alimentos hortifrúti e carnes de modo geral”, informou o secretário. Ainda segundo ele, para 2021 já está previsto o investimento de cerca de R$ 5,6 milhões, oriundos de convênios firmados entre o Governo de Sergipe (via Seagri) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em ações de regularização fundiária, fortalecimento da bacia leiteira e agroindustrialização no Médio e Alto Sertão; acesso a água para comunidades rurais; titulação e regularização de colônias agrícolas.

Fonte: Jornal da Cidade – JC |Foto: André Moreira

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