Um estanciano que não sai da memória

Um estanciano que não sai da memória

No próximo 14 de junho, o Estanciano Esporte Clube, o “Canarinho do Piauitinga”, completará 64 anos, com quase nada a comemorar, nenhum título estadual, na segunda divisão, só o sonho do torcedor por dias melhores, a exemplo, dos que ocorreram nos anos 80.

Que futebol lindo era jogado com um ataque do trio Lauro, China e Horácio sob o comando do professor Jaime de Souza Lima, um gigante na beira do gramado.

Dois grandes momentos assim o torcedor do Estanciano, viveu, bem pertinho do título estadual. Um comandado por Renato Silva na década de 80, com um vice-campeonato estadual, em 1983, o mais doloroso para o torcedor canarinho. Em 2015, com Sidney, o ex-jogador, o clube chegou a outra final, não tinha realmente um time para ser campeão, apesar da boa campanha. Quantos anos se passarão novamente para que o torcedor volte a ver seu time numa final ou mesmo conquistar o tão sonhado título? Com a atual estrutura, nunca! Infelizmente.

Vamos então a lembranças, melhor lembrar do excepcional time do início da década de 80. Sem comparativo nos gramados, mas o sentimento, pelo menos o meu, é o mesmo, aquele time que perdeu o título para o Confiança no Batistão (com alguns lances questionáveis) deixou a mesma sensação do Mundial que a Seleção Brasileira não chegara nem a final, sendo interrompida pela Itália, um ano antes. Naquele ano, ainda havia uma motivação maior para o torcedor, a inauguração do Francão, que lotava a cada quarta-feira e domingo, quantas aulas foram gazeadas para assistir estes jogos empolgantes.

Pelo menos eu tenho este sentimento, aquele Canarinho formado com jogadores (pesquisei esta escalação) Nego, Almeida, Bodi , Lima e Amaro; Luís Carlos, Neguinho e Misso; Lauro, China e Horácio. Dirigido pelo técnico Jaime de Souza Lima. Naturalmente que na história da equipe tem Moscou (cresci vendo este centroavante), goleiro como Dimas, o veloz Didi e muitos outros que ficaram na memória dos torcedores.

Vou abrir um parênteses neste texto em homenagem ao Estanciano, para lembrar o Santa Cruz, “Azulão do Piauitinga” (este pelo visto acabou) e creio que no futebol sem a rivalidade de um Santa Cruz x Estanciano – um dos maiores clássicos no futebol do interior do Estado. Mesmo praticamente tendo posto ponto final na história do futebol, o Santa Cruz carrega na sua história títulos, um pentacampeoanto amador (na época não havia futebol profissional) ou aquela vitória sobre o nosso Canarinho na inauguração do Estádio Augusto Franco, no dia 5 de março de 1983 (uma das mais belas festas do futebol estanciano). Gol do artilheiro Bela.

Fechando parênteses, voltando ao Estanciano, que disputou Copa do Nordeste, Copa do Brasil há quase 5 anos, apesar de um fiasco, pode-se dizer um feito histórico. O Canarinho no mapa do futebol brasileiro. Mas dali para cá tem sido penúria para o torcedor, que no último campeonato perdeu o interesse. Bons tempos aqueles que o domingo era ir às Praias do Saco ou Abaís cedo, voltar até o início da tarde e se preparar para ir ao Francão com a certeza de uma bela apresentação daquele time que jogava por música.

Como sempre vamos alimentar a esperança. Só Nossa Senhora de Guadalupe e Senhor do Bonfim se compadecendo da torcida canarinha para reverter este infortúnio no Clube que já foi uma força do futebol estadual. Infelizmente, de forma real o que desponta no horizonte não é esperança de dias melhores, porque o Estanciano nunca teve dirigentes de verdade, sempre foi um time de donos. Na minha visão, só há uma salvação para o Estanciano: se tornar um clube empresa com alguém na frente que o faça com profissionalismo.

João Augusto Freitas é estanciano e jornalista.

Sergipe Repórter Entretenimento

administrator

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat
Powered by